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CIRCUÍTO BRAGA II - Mais propriamente "Concentrado de Braga". PDF Print E-mail
Written by Veloso Amaral   
Sunday, 27 December 2009
Texto:Veloso Amaral
Fotos:VA,Digimotores,Gil Alves,João Lavadinho,Ruics e ZoomSport

Ainda não foi, desta feita, que o nosso IMP beneficiou de uma aturada intervenção, Diríamos até, que ela foi bem fugaz, tendo-se reduzido a um curioso trabalho de freagem dos carburadores, já que no Porto, por diversas vezes se desapertaram, quase ao ponto de fazer calar o motor.

Também a embraiagem, alvo de cuidados intensivos, voltou aos seus tempos áureos, o que, transmitindo-nos uma enorme confiança, propicia travagens, bem mais optimistas...

O resto resumiu-se a uma afinação de travões e mudança do filtro e óleo do motor.Com o violento acidente da véspera, ainda mal digerido, pusemo-nos a caminho de Braga, através da A8.

Poucos quilómetros decorridos após a saída de casa, e eis que um estridente ruido metálico e mecânico, nos faz parar em plena auto-estrada. Uma avaliação muito sobre "sobre o joelho", dizia-nos ser uma biela gripada.

Transmitido o ruído, via telemóvel, para alguém que bem conhece aquele tipo de motores, o mesmo corrobora o nosso diagnóstico. Estava assim, encenado um verdadeiro volte face nos nossos planos. Porém, havia que avançar, nem que o resultado final pudesse ser desastroso. De novo em andamento, ora o barulho se atenuava, ora regressava mais violento que nunca. Com uma grande fé na qualidade do óleo..., se bem que não reconheçamos no Liqui Moly capacidades milagreiras, Lá fomos, sem passar das 3.000 rpm e com redobrada atenção à temperatura da água e à pressão o óleo.

Atravessámos a zona da ponte do Freixo em plena hora de ponta, mas então, já o ruído quase passava despercebido.
Fomos dos primeiros a chegar ao Autódromo de Braga, não sem que antes tivéssemos dado uma forte pancada com a Top Box no ramo de uma árvore, o qual não resistiu ao erro de paralaxe!

As verificações, no Sábado, não foram muito "pacíficas", se bem que tenha havido grande compreensão de ambas as partes, de molde a que tudo fosse resolvido a contento.

Entretanto, a grande concentração de "técnicos" presentes no paddock permitiu-nos ir recolhendo, as mais dispares opiniões sobre o que mais nos preocupava: o ruído do motor da autocaravana. Talvez para colocar um ponto final na questão, o ruído desapareceu de um modo tão intriante, quanto havia surgido.

Domingo começou bem cedo... Aguardáva-nos o "Concentrado de Braga", com treinos livres, briefing, treinos cronometrados, 1ª e 2ª corrida, ainda duas pesagens, uma passagem pela baia, uma verificação extra originada pala falta de rede nos carburadores, uma inspecção da câmara a bordo...uff, que só de pensar, já nos começa de novo a faltar o fôlego.
 
  
 

Decorridas duas voltas dos treinos livres e, ao reduzir para terceira ao fundo da recta da meta, o motor dá dois estridentes rateres e cala-se. Confirmamos a posição do corta-circuitos mas entretanto o motor ganha de novo vida. Duas curvas depois, novo rater e uma vez mais o motor vai-se abaixo. Decido ir dar uma espreitadela, pelo que coloco o Imp bem fora da pista. Ao abrir o capot do motor, terrível constatação; as chamas, com mais de 25 centímetros, ocupavam toda a zona dos carburadores, alastrando do lado direito onde se encontra a bomba e filtro da gasolina, até praticamente a meio do motor, envolvendo os cabos das velas e os tubos do radiador de óleo. Corro à frente, de onde em segundos trago o extintor que acciono, em simultâneo com o de um commissário de pista, recém aparecido.

Um diagnóstico muito superficial, dá-me algum alento, que me leva a pedir ao referido elemento para ficar de sobreaviso, enquanto eu tentaria colocar o motor a "resmungar". Se bem que com muito mau aspecto, tudo parecia funcionar normalmente, pelo que voltei à pista a fim de sair para as boxes, onde um colaborante inglês, assistente do Lola de Carlos Barbot, utilizando um compressor soprou, o melhor que conseguiu, todo aquele pó químico!. De seguida, o meu Amigo Orlando Conceição deu uma lavagem completa ao motor e fez um check up a toda a instalação elèctrica, não fosse essa a sua especialidade!.

Os treinos cronometrados correram dentro da normalidade, sendo que o Imp tinha dificuldade em sair das curvas mais lentas. Fiquei um tanto circunspecto quando constactei ter feito uma volta em 1m 45s 291, o melhor tempo de sempre.

Na primeira corrida ficámos em 13º., não tendo contudo pontuado, uma vez que o 127 se quedou pelo paddock. Digno de nota, o pião do Cooper de Mota Freitas, mesmo à nossa frente, e uma autêntica onda de gasolina que o mesmo jogou sobre o pára-brisas do Imp e que nos afectou a visibilidade entre a terceira e quinta voltas.
 
  
  

Na segunda, e mercê de um bom arranque, fizemos toda a recta "ensanduichados" entre dois 1300 e ficou provado que, quando há respeito, os toques não acontecem... Nas voltas iniciais controlávamos o Fiat do Cândido Espinha, já que quando seguíamos na recta que antecede a chicana, víamos o 127 no enfiamento das bancadas. Em determinada altura deixámos de o ver, o que nos levou a deduzir, aliás erradamente, que estariamos a perder terreno. À nona volta, o nosso adversário da Classe MIL estava encostado à berma mas, na volta imediata, ao entrarmos na recta da meta, e ao mesmo tempo que sentimos uma forte pancada na traseira, o carro tem uma estranhíssima reacção. Corrigimos a deriva, mas para o mesmo se manter em linha recta, o volante tinha de permanecer bastante torto. Por precaução não ultrapassámos as 5.000 rpm e, ao travarmos para a abordagem da curva 1, a traseira passa-se por completo e saímos violentamente da pista, em contrabrecagem. O triângulo da suspensão partiu junto ao rolamento e a roda deitou-se sob a carroçaria.

Primeiro rebocado por um tractor, depois içado por uma grua, fomos para a zona das boxes... onde ficou em parque fechado. No final da corrida, o simpático senhor do reboque içou de novo o Imp e foi "depositá-lo" no nosso atrelado.

Agradável, foi o convívio que tivémos com os outros pilotos e muito principalmente na tarde de Domingo, quando brindámos com um grupo de amigos, acompanhando o bolo de anos simpaticamente oferecido pelo Nuno Meira Pinto, administrador da STARLUB, e que em Braga foi inexcedível para connosco.

Quando chegámos a casa, resolvemos visionar a gravação da câmara montada a bordo. Havia que recordar o magnífico arranque, o banho de gasolina, o fim malabarístico da prova, e o consequente içar do carro, pela grua. Acontece, porém, que a máquina ainda não é automática ao ponto de começar a gravar sem intervenção humana...

Que venha Algarve2 e, já agora, que seja mais calmo que o "concentrado de Braga".
Last Updated ( Tuesday, 29 December 2009 )
 
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